Saturday, January 26, 2008
Não há nada a ser esperado. Nem desesperado."
Caio F. , sempre!
Thursday, January 24, 2008
Quando cada minuto conta……
O ano que passou foi de muito conflito. Com o marido, comigo mesma. Passei meses pra entender que estar casada e feliz é tranquilo mesmo, que é isso aí, que eu achei alguém que eu verdadeiramente amo e que sim, é o fim de uma fase que foi muito boa, mas também o começo de outra, mais madura e enriquecedora. É engraçado que mesmo estando casada há mais de dois anos eu tenha por tanto tempo resistido à idéia de que amar, me dedicar, mostrar preocupação e carinho, que essas não são fraquezas, mas simplesmente parte natural do relacionamento. Estranho como eu resisto tanto a algo que é absolutamente natural pros outros. Mesmo fazendo trinta anos em breve, às vezes me sinto tão adolescente... quando eu era mais jovem eu acreditava que a idade trazia conhecimento instantâneamente, “- parabéns Dona Sugar, aqui está o seu manual 30 anos, leia tudo direitinho e comporte-se e pense conforme a sua faixa etária.” Hoje eu vejo que o normal das pessoas não é necessariamente o meu normal, e que isso é bom, porque o normal dos outros simplesmente não me faria feliz. Eu preciso questionar, analisar – não é uma escolha, mas uma necessidade. Deve estar funcionando, porque eu nunca estive tão feliz.
Durante esta busca por auto-conhecimento eu senti uma vontade enorme de me reconciliar com o meu pai. A verdade é que passei boa parte dos últimos anos com culpa por estar com raiva do meu pai. Enquanto eu estava longe mas ele estava saudável a culpa era controlável, mas depois que ele descobriu o câncer, passado o choque da notícia, a culpa era insustentável. Sim, porque se sentir raiva já é ruim, ter raiva de uma pessoa doente é pior ainda. Arrumei minhas malas e fui pro Rio ficar com ele. Nos primeiros dias achei que fosse enlouquecer, depois percebi que o meu pai transcende o conceito de entendimento, que suas escolhas não são racionais, mas que se eu não consigo verdadeiramente entendê-lo, eu posso pelo menos aceitá-lo e ter a certeza de que ele é o que é e de que não vai mudar. Suas escolhas de vida não seriam as minhas, suas opiniões não me agradam e eu sinto que ele não me conhece direito mas, quer saber? Talvez isso não seja tão importante, porque graças ao bom Deus nós somos pessoas diferentes (ou talvez parecidas demais pra se reconhecer no outro), e muito do que eu sou é por influência dele. No fim, com um pouco de álcool e algumas palavras amargas, atingimos um ponto de acordo. Consegui perdoar o meu pai por tantas coisas que ele nem faz idéia, e que talvez seja melhor assim. O perdão foi um grande passo, foi um bem que fiz a mim mesma. Encontrei uma paz em mim que nem sabia que existia. Voltei a sentir um amor profundo pelo meu pai, sem raiva, sem críticas.
O ano acabou de forma perfeita, eu voltando do Brasil, feliz, renovada, numa festa na casa da minha irmã. Quando me perguntaram qual era a minha resolução de fim de ano, simplesmente disse “keep up the good work” algo como “prossiga com o bom trabalho”. E é isso mesmo, porque do meu jeito, meio anormal e lerdo, eu estou chegando lá.
d-_-b “cause = time” – Broken Social Scene
Friday, November 09, 2007
De um recado deixado pra Bel....
Wednesday, October 24, 2007

Aniversário de dois anos de casamento. Não dá nem pra descrever o quanto evoluímos e crescemos nestes últimos anos. Existe cumplicidade, companheirismo e uma inconstância da minha parte que só aqueles com menos de 30 anos entendem. Amor mutante e delicioso. Felicidades pra mim e pro Vertigem.
d-_-b "We Dance" - Pavement
Wednesday, September 19, 2007
Eu não sei exatamente quando aconteceu, talvez não tenha existido um momento, foi um processo. Lembro perfeitamente de uma cena em que eu falava pro terapeuta, Vertigem do meu lado, que assim eu não queria mais, que ou melhorava ou acabava. Vertigem dizia que não terminava naquele momento, porque eu era a garota dele e era comigo que ele queria ficar. Meio que senti um clique, logo eu, sempre tão impaciente com homem.... percebi que realmente nunca tive este tipo de afinidade com ninguém, que Vertigem sabe mais e me compreende mais do que qualquer pessoa. Ele sabe tudo: traições, dúvidas, lesbianismo. O que vc perguntar da minha vida ele sabe. Sabe até demais, culpa minha, eu sei.
Durante o processo – lento e doloroso e sujeito à recaídas – teve muita conversa, muito choro e um ou outro xingamento da minha parte. Eu queria a certeza, eu queria voltar pro início, sem perceber que o início agora era impossível agora que já conhecíamos demais um ao outro.
Vou estar mentindo se disser que foi de um dia pro outro mas, não sei ainda como, a crise se dissipou. Não voltamos ao início, estamos além. Uma nova fase, provavelmente a melhor delas, mais madura, mais segura. Meus sentimentos estão mais fortes do que nunca, estamos cúmplices e temos muitos planos. Filhos? Daqui há três anos, pode anotar. Que venham os desafios! Eu e Vertigem estamos de mãos dadas esperando por eles.
Finalmente nosso amor está leve, divertido, amor-com-gosto-de-porra, amor que canta alto de manhã e que ri da imbecilidade alheia. Amor que fuma um pra gozar bem gostoso e que de vez em quando diz: “eu tenho tanta sorte de ter vc nos meus dias”. E eu continuo dizendo que tenho sorte, sempre.
d-_-b “Cindy tastes of barbecue” - Luna
Sunday, August 12, 2007
pj harvey _ rid of me
Pode ser o vestido. Ou a boca obscenamente vermelha. Ou o jeito de segurar a guitarra, com o crescendo da música e o grito de "lick my legs and I'm on fire, lick my legs and I'm desire". Adoro a fúria. P.J. Harvey é minha musa. Ponto.
Tuesday, July 24, 2007
Da série: porque me ufano do Brasil
Minha irmã mais velha está morando no Brasil há três anos. Agora ela vai voltar pra França e quer levar o cachorro que ela comprou pros filhos no tempo que passou no Brasa. Telefonou, se informou da papelada e, quando estava tudo prontinho, foi no lugar pra liberar o cachorro pra viagem. Chegando lá, o burocrata achou um problema:
- Minha senhora, a descrição do cachorro não está correta.
- Como não, é uma cadela da cor preta com 1 ano de idade.
- Sim, mas o sexo da cadela não está especificado (?????????????).
Ah sim, e teve o show do Billy Corgan aqui na cidade. Foi lindo, o estádio era pequeno e eu fiquei bem na frente. Eu pulei igual uma pulga, gritei histericamente e chorei quando ele tocou “Drown”. Foi lindo, lindo, tudo que eu sempre sonhei. E valeu perder a voz, ficar com o pé sangrando e quase distender o músculo da perna de tanto pular. Antes de casarmos, eu expliquei pro Vertigem que quando ele falasse “na saúde e na doença” ele tinha que saber aonde tava se metendo. Então eu expliquei que eu tenho na verdade três doenças: a primeira é a ginástica olímpica – sou viciada, foi minha primeira paixão, aos 7 anos e é uma parte essencial de mim. A segunda doença é meu vício por cosméticos. Adoro, tenho muito mais cremes do que jamais vou precisar. A terceira doença é o meu amor totalmente irracional, ridículo e adolescente pelo Billy Corgan. Serinho, tenho dois posters do cara no meu quarto (juntamente com um da P.J. e um do Pixies), e, como eu acredito piamente que o que é combinado antes não é reclamado depois, Vertigem nem ligou quando eu gritei pelo menos meia dúzia de vezes - “I love u Billy!!”. Vertigem estava lá, rindo de mim, tirando foto, segurando a minha bolsa , curtindo o show mesmo sem conhecer direito nenhuma das músicas. Estávamos tão companheiros, tão bacanas um com o outro que me lembrou do nosso início. Foi um show catártico pra mim, inesquecível e que, pra minha sorte, me aproximou um pouco mais do Vertigem.
d-_-b “Drown” - Pumpkins
P.S.- Foto do Billy by Vertigem (olha como eu tava pertinho do carecão!!)