Wednesday, September 19, 2007

Eu não sei exatamente quando aconteceu, talvez não tenha existido um momento, foi um processo. Lembro perfeitamente de uma cena em que eu falava pro terapeuta, Vertigem do meu lado, que assim eu não queria mais, que ou melhorava ou acabava. Vertigem dizia que não terminava naquele momento, porque eu era a garota dele e era comigo que ele queria ficar. Meio que senti um clique, logo eu, sempre tão impaciente com homem.... percebi que realmente nunca tive este tipo de afinidade com ninguém, que Vertigem sabe mais e me compreende mais do que qualquer pessoa. Ele sabe tudo: traições, dúvidas, lesbianismo. O que vc perguntar da minha vida ele sabe. Sabe até demais, culpa minha, eu sei.

Durante o processo – lento e doloroso e sujeito à recaídas – teve muita conversa, muito choro e um ou outro xingamento da minha parte. Eu queria a certeza, eu queria voltar pro início, sem perceber que o início agora era impossível agora que já conhecíamos demais um ao outro.

Vou estar mentindo se disser que foi de um dia pro outro mas, não sei ainda como, a crise se dissipou. Não voltamos ao início, estamos além. Uma nova fase, provavelmente a melhor delas, mais madura, mais segura. Meus sentimentos estão mais fortes do que nunca, estamos cúmplices e temos muitos planos. Filhos? Daqui há três anos, pode anotar. Que venham os desafios! Eu e Vertigem estamos de mãos dadas esperando por eles.

Finalmente nosso amor está leve, divertido, amor-com-gosto-de-porra, amor que canta alto de manhã e que ri da imbecilidade alheia. Amor que fuma um pra gozar bem gostoso e que de vez em quando diz: “eu tenho tanta sorte de ter vc nos meus dias”. E eu continuo dizendo que tenho sorte, sempre.

d-_-b “Cindy tastes of barbecue” - Luna

Sunday, August 12, 2007

pj harvey _ rid of me

Pode ser o vestido. Ou a boca obscenamente vermelha. Ou o jeito de segurar a guitarra, com o crescendo da música e o grito de "lick my legs and I'm on fire, lick my legs and I'm desire". Adoro a fúria. P.J. Harvey é minha musa. Ponto.

Tuesday, July 24, 2007

Da série: porque me ufano do Brasil

Minha irmã mais velha está morando no Brasil há três anos. Agora ela vai voltar pra França e quer levar o cachorro que ela comprou pros filhos no tempo que passou no Brasa. Telefonou, se informou da papelada e, quando estava tudo prontinho, foi no lugar pra liberar o cachorro pra viagem. Chegando lá, o burocrata achou um problema:

- Minha senhora, a descrição do cachorro não está correta.

- Como não, é uma cadela da cor preta com 1 ano de idade.

- Sim, mas o sexo da cadela não está especificado (?????????????).

Não adiantou explicar o óbvio, minha irmã teve que voltar e fazer tudo de novo, se certificando que é uma cadela fêmea, da cor preta e com um ano de idade .

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Ah sim, e teve o show do Billy Corgan aqui na cidade. Foi lindo, o estádio era pequeno e eu fiquei bem na frente. Eu pulei igual uma pulga, gritei histericamente e chorei quando ele tocou “Drown”. Foi lindo, lindo, tudo que eu sempre sonhei. E valeu perder a voz, ficar com o pé sangrando e quase distender o músculo da perna de tanto pular. Antes de casarmos, eu expliquei pro Vertigem que quando ele falasse “na saúde e na doença” ele tinha que saber aonde tava se metendo. Então eu expliquei que eu tenho na verdade três doenças: a primeira é a ginástica olímpica – sou viciada, foi minha primeira paixão, aos 7 anos e é uma parte essencial de mim. A segunda doença é meu vício por cosméticos. Adoro, tenho muito mais cremes do que jamais vou precisar. A terceira doença é o meu amor totalmente irracional, ridículo e adolescente pelo Billy Corgan. Serinho, tenho dois posters do cara no meu quarto (juntamente com um da P.J. e um do Pixies), e, como eu acredito piamente que o que é combinado antes não é reclamado depois, Vertigem nem ligou quando eu gritei pelo menos meia dúzia de vezes - “I love u Billy!!”. Vertigem estava lá, rindo de mim, tirando foto, segurando a minha bolsa , curtindo o show mesmo sem conhecer direito nenhuma das músicas. Estávamos tão companheiros, tão bacanas um com o outro que me lembrou do nosso início. Foi um show catártico pra mim, inesquecível e que, pra minha sorte, me aproximou um pouco mais do Vertigem.

d-_-b “Drown” - Pumpkins





P.S.- Foto do Billy by Vertigem (olha como eu tava pertinho do carecão!!)

Wednesday, July 11, 2007

How are things on the west coast?

Vontade de marcar presença por aqui e dar uma vomitada verbal, só pra não perder o costume. A vida anda boa, em termos, porque sempre existe uma forma de conflito, externo ou interno, mas começo a achar que é assim que deve ser mesmo. E como vai o casamento? O povo quer saber....

O casamento vai, quebramos o pau no divã do analista a cada duas semanas, temos momentos sublimes e lindos e fofos que definitivamente não permanecem, se perdem num cotidiano de reclamações, implicância e raiva.... uma raiva por termos mudado, por não sermos mais tão jovens e idealistas e inconsequentes e por não acreditarmos mais naquele amor inocente do início..... provavelmente a coisa mais decepcionante que aconteceu na minha vida. Porque eu sempre acreditei que o amor valia à pena, que por ele valia sofrer, chorar, mentir.... hoje em dia acho que o amor vem com um prazo de validade: se você ama realmente alguém, não fique com esta pessoa por mais de alguns anos. Não more junto. Tente congelar seu relacionamento naquele momento delicioso do início, onde você e o outro ainda são a coisa mais maravilhosa que poderia ter acontecido, antes do fim do tesão, de viagens desastrosas pro Brasil e problemas domésticos que beiram ao ridículo. Sim, porque brigar porque não é a sua vez de lavar a louça é ridículo, mas acontece com mais frequência do que eu gostaria de admitir. E tem o tesão, né? Ó céus, me sinto um clichê ambulante, uma coisa bem “vulcão adormecido”, sabe?rs.... sou um acidente prestes a acontecer.....outro dia, perdida numa dessas noites etílicas e sans Vertigem, me peguei dançando um forró bem agarradinho e dando uma fungada cheia de vontade num pescoço alheio. Parei, claro, porque isso aqui é um casamento que eu ainda estou tentando salvar, talvez por “amor”, talvez por estupidez, mas a verdade é que estou fazendo tudo que eu posso pra salvar este relacionamento, estou lutando por ele e não vou deixar um pescoço perfumado me tirar do prumo. E também porque existem estórias que não valem à pena ser repetidas. De resto, continuo com minha franjinha jovial e com minha lojinha que só me dá alegria..... com planos concretos de ir ao Brasil em novembro e, antes disso tem o show dos Pumpkins aqui, na minha cidade, Santa Blues, dia 20. Tenho tido fantasias ridículas, tipo Billy tocando “Luna” pra mim e me fazendo lembrar dos tempos ingênuos da minha vida, em que o amor ainda era puro e lindo e que talvez nem fosse realmente tudo isso, mas eu pelo menos acreditava que era. É foda amadurecer, viu? Preferia mil vezes voltar três anos na minha vida, naquela época onde o Vertigem era o cara mais doce do mundo e eu era a foda do século pra ele, e ele era Deus, e não existia mais nada nem ninguém entre a gente. Eu era ingênua e feliz. Quando foi que tudo ficou tão complicado entre a gente? Quando foi que eu parei de acreditar? Quando foi que apagamos a luz?

d-_-b “On Call” Kings of Leon

Saturday, April 21, 2007





And the Sex and the drugs and the complications


Botando a casa (e o coração) em ordem

Thursday, February 22, 2007

Um Olhar Estrangeiro

O relato da minha viagem ao Brasil deveria começar com aquela frase do Dickens:

“It was the best of times , it was the worst of times”.

Eu queria poder dizer que foi perfeito, mas não foi e isso realmente abalou o meu relacionamento com o Vertigem. O Brasil continua caótico e divertido e cheio de pessoas que eu amo. Revi tanta gente, bebi tanto chop e cachaça, fiz ginástica olímpica, compras, massagem, sauna e fiquei de pilequinho numa madrugada perdida voltando da Lapa. Eu estava feliz de não conseguir me conter! Tinha tudo pra ser perfeito, mas Vertigem resolveu que me ver feliz não era tão importante assim, não teve a grandeza de saber me dividir com minha família e amigos e se comportou como um CUZÃO a viagem inteira. No último dia do ano em Búzios, andando com ele na praia sem trocarmos uma palavra há dias, olhei pro pôr-do-Sol e pensei que definitivamente não era perfeito este relacionamento e que o respeito, a devoção e até mesmo o amor tinham sido quebrados. O Brasil me fez perceber que mesmo juntos há 3 anos, existe um lado dele que eu não conheço, um lado altamente egoísta, imaturo e inseguro – algo que eu não esperava de um homem de 35 anos. Aliás, ao fim da viagem, eu realmente comecei a questionar os meus sentimentos por ele. Chegando aqui, ainda decepcionada com as atitudes dele, sugeri que fizéssemos uma terapia de casal. Ele não topou, o que me fez questionar ainda mais a capacidade de crescimento pessoal dele. A rotina vai tomando os nossos dias com a sua ilusão de normalidade. Vertigem finge que nada aconteceu, que nada acontece, que não existe crise. Eu queria saber fingir.

Revendo a minha família, comecei a pensar o quanto a minha decisão de me mudar pra cá afetou a rota, a continuidade das coisas, a herança cultural, os laços familiares. Durante o Natal eu pensei constantemente na minha avó que morreu há 1 ano atrás e eu não pude ir vê-la no hospital, ir no enterro. Durante a ceia, olhei em volta e vi meus tios, primos, sobrinhos... uma família enorme e pensei que eles também irão morrer e que eu inevitavelmente vou estar aqui, e que meus filhos não vão ter quase contato com esses primos, não vão ter o prazer que é crescer rodeado por uma família calorosa e louca e divertida... simplesmente porque eu decidi vir pra cá, e meus filhos e meu futuro serão aqui e isso tudo é um caminho sem volta e uma perda enorme... me sinto só. Sinto muita saudade do Brasil e da minha família. Acho que vai demorar uns meses pra me re-adaptar a vida aqui. Sou uma gringa no Brasil e uma imigrante na América. Aonde fica o meu chão?

d-_-b “Our Hell” Emily Haines. Eu queria ter escrito esta música, isto é, se eu soubesse escrever. Ela é soundtrack de crise de relacionamento.... diz tudo...rs

Sunday, January 21, 2007

A place called home

And I feel homesick already...

Tuesday, December 12, 2006

Nunca tinha ouvido falar deste filme, mas a verdade é que fazia tempo que não via um filme de suspense tão diferente. A premissa do filme é o encontro via chat de uma garota de 14 anos e um cara de trinta e poucos. Eles batem papo e decidem se encontrar num café. De lá, ela o convence de ir pra casa dele e, a partir daí, tudo pode acontecer. Existem falhas no filme, mas isso é só o meu lado virginiana perfeccionista falando e, de um modo geral, o filme é muito bem bolado. Além de ter me deixado grudada na cadeira e.... ah, qualquer coisa que eu diga será um “spoiler”, então não vou falar mais nada da estória.... ah, no Brasil o filme tem o nome de meninamá.com (argh, estes títulos me matam).

Eu estava meio inspirada naquela noite. Botei minha gravata e chapéu e perguntei pro Vertigem quem eu era. Ele matou na mosca: Annie Hall. “La-di-da”, respondi. Fomos num bar very mellow, eu e meus três rapazes. Como eu não estava com vontade de beber, deixei os homens encherem a cara enquanto guardava a chave do carro. O playlist era perfeito, parecia que eu tinha escolhido as músicas. Chegando em casa, um tesão de dar fisgada e Vertigem meio bêbado demais, meio preguiçoso..... montei e comecei a fazer o que notoriamente faço bem. Depois de cinco minutos, já cansada, falei que agora era a vez dele, que ficasse por cima. Disse que não, que tava cansado, que eu fizesse o que tinha que ser feito pra me satisfazer. Comecei a rir, minhas energias já extintas, meio incrédula da situação, meio sentindo saudade daquela sensação que se sente no início do relacionamento e que, não adianta, não volta mais. Caminhamos juntos por muito tempo, babes, vc é meu campanheiro, meu protetor e alguma coisa que estava lá no início, bem excitante e irresistível se perdeu no nosso cotidiano de louça suja na pia e nem notamos. Daí pensei que casamento é isso também, é brigar pra ver quem fica por cima na hora da transa, porque sinceramente nenhum dois dois está se consumindo de desejo um pelo outro. Claro, existem dias loucos, de fazer no chão da sala e de quebrar copos e se cortar e fingir que não percebeu porque nada no mundo vai nos fazer parar. Mas em outros....

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Falta uma semana.... as contas estão todas pagas, as malas ainda precisam ser feitas, os presentes já foram comprados e o coração parece que diminui a cada dia. Estou no módulo contagem regressiva, cada hora que passa a areia da ampulheta vai se esvaindo ainda mais rapidamente pra cavidade de baixo. Vontade infinita de abraçar o meu pai. E de ficar hospedada no vigésimo andar.

d-_-b “There There” Radiohead

Tuesday, November 28, 2006

Note to self: por mais que esteja ruim, sempre, sempre pode ficar pior. Não acredita? Pois bem, no post lá debaixo eu tava reclamando do thanksgiving, da minha sogra e do cunhado. Sobrevivi ao jantar com a família do Vertigem e, quando estávamos nos preparando pra viagem de volta, minha sogra-monstra diz que quer voltar com a gente pra passar o fim-de-semana aqui na cidade. Oh, céus!! Inventei uma mentira, disse que ela não podia ficar aqui em casa, que eu só tinha uma cama... não adiantou, ela veio com a gente. A sorte é que ficou na casa do filho bichinha-maldita, mas mesmo assim tivemos que nos encontrar todos os dias e coisa e tal. Na boa, o lance com a minha sogra é simplesmente não levá-la a sério. Uma pessoa como ela simplesmente não é real, ela parece saída de um filme caricato, faz umas perguntas ridículas... e, sinceramente, eu só preciso ser agradável com ela, nem tento mais fazer ela gostar de mim. Mas o grande lance da minha sogra é que conversar com ela me dá uma idéia melhor do meu marido. Quais os efeitos, no Vertigem, de ter sido criado por uma mãe maluca? O que essa mãe influenciou no relacionamento dele com as mulheres? Pensando assim meus encontros com a sogrita viram menos tortura e mais um estudo de caso. Melhor assim.

Quando bato a porta atrás de mim deixo uma bagunça. Nunca fui ex-namorada que tenta ficar amiga, eu realmente falo tudo o que quero dizer, xingo e choro todas as lágrimas devidas. Boto o ponto final. Não tenho a menor ambição de deixar recordações maravilhosas, ser gracinha. Não estou dizendo que esta é a melhor forma de terminar relacionamentos, mas é assim que eu sei terminar os meus. Não raro, meus ex me odeiam e me evitam. Pra mim não é problema, pelo contrário, acho muito mais fácil (e saudável) recontruir o meu coração quando não existe ninguém me relembrando o quanto o relacionamento anterior foi equivocado e o quanto o término doeu. O que me espanta são exatamente aqueles que não entendem que o ponto final já aconteceu há tempos e ficam tentando fazer “contatinhos” via Orkut. Na boa, depois de tudo o que foi dito, beira ao ridículo! Fora que não vejo a tal pessoa há anos e ela sabe que eu estou casada e feliz. Não, não merece resposta... merece só um “ignorar usuário” básico.....

Contando os dias pra chegar no Braza!! Saio daqui dia 19 de dezembro, quero abraçar meu pai e beber muita cachaça e passear na Lagoa. Quero levar o Vertigem pra Búzios e comprar os três livros do Caio que faltam pra completar a minha coleção. Quero ver os filmes nacionais que perdi e presentear os meus sobrinhos. Ah sim, e comer coxinha de galinha com catupiry e muito chocolate Garoto. É tão difícil viver a minha rotina quando eu sei que em menos de um mês eu vou estar no Brasil, na mesma casa no vigésimo andar que eu vivi a minha vida toda. Estou ansiosa e com insônia. Vira e mexe me pego cantarolando “Aquarela do Brasil” bem baixinho e tento me lembrar que o Rio definitivamente não é só carnaval e festa e que existe bandido e meninos de rua e engarrafamentos gigantes. Mas tá difícil segurar a expectativa.... ah, dane-se, aí vai:

O Brasil, verde que dá
Para o mundo se admirá
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...


Tuesday, November 21, 2006

Esse tomate é fruta, essa coca-cola é fanta, esse cachorro é Laisse....

Ah, o meu cunhado.... sim, ele é uma bicha que só assumiu a bichisse aos 30 anos. Ah sim, ele é uma bichinha sozinha que não encontra ninguém que o ature e por isso mesmo queria que o irmão ficasse solteiro e mal-amado como ele. Meu cunhado me odeia. Assim como a minha sogra. Até aí tô tranquila, minha sogra é insuportável mas pelo menos teve a delicadeza de morar bem longe e só preciso vê-la uma vez por ano, no dia de ação-de-graças. Isto é: nesta quinta. Tô meio em pânico, pensando nos sacrifícios que fazemos por amor, que ficar dentro do carro por 6 horas aturando meu cunhado e depois ter que rezar e comer um peru insosso, finjindo prestar atenção enquando minha sogra fala da Bíblia.... tá, vale à pena. Porque o Vertigem é um fofo e me ama e casou e me deu o GC e faz café-da-manhã pra mim todos os dias e me deu o coração dele.... tá, eu sei que ele vale o sacrifício mas, oh céus, será um loooongo dia. Acho que nem tortura em Guantánamo exige tanto auto-controle... ah, que feriadinho escroto, vou te contar....


Sobre não ter traquejo social....


Eu prometo parar de me perguntar porque tenho tão poucos amigos... eu entendo que não sou uma pessoa fácil de lidar, tenho personalidade forte, falo o que penso, não sou aquele tipo de pessoa “gracinha” e o meu senso-de-humor é meio duvidoso.... mas a verdade é que eu sou uma amiga ruim porque além de ser completamente auto-centrada, eu não tenho o menor jeito pra falar com as pessoas, exemplo:
Outro dia estava jantando com uma amiga e ela estava me contando como o pai dela foi ausente, abandonou a família e foi casar com outra mulher, ter outros filhos. Porra, minha amiga tava abrindo o coração pra mim, falando da infância sofrida e tudo o que eu tive pra dizer foi “caralho, com tanto pai merda no mundo, porque logo o meu foi ter câncer?! Serinho, se era pro pai de alguém ter câncer, seria muito mais justo que fosse o seu, né não?”

O pior é que na hora eu nem achei que tivesse sido meio grossa ou insensível (apesar de estar completamente certa no meu pensamento). Só fui reparar a minha indelicadeza horas depois, dirigindo pra casa. Tá, prometo que não reclamo mais.... acho que, se tivesse opção, eu mesma não seria minha amiga.


d-_-b “Poster of a girl” - Metric

Thursday, November 16, 2006

Desconexo

Se isso aqui fosse um diarinho, eu diria que o frio e a chuva têm tido um efeito devastador no meu humor e que são nessas horas que eu penso o quanto eu odeio morar no hemisfério norte – só nessas horas. Também diria que tô sentindo uma invejinha da minha irmã, que já está no Brasil e que aliás vai pro Brasil todos os anos enquanto eu estou exilada por aqui até dia 19 de dezembro. Estou louca pra ir pro Brasil, a ponto de ficar ansiosa e perder o sonho e pensar que o passado, ah, o passado não era em absoluto tão ruim assim.Também diria no tal diarinho que eu adoro ter fama: de piranha, de pão-dura. Sabe, quando peguei fama de piranhuda (e olha que eu ainda era virgem quando isso aconteceu!), foi tão libertador... aliás, devo a esta fama momentos de grande prazer na minha vida. A de pão-dura é outra que também só me tráz vantagens. Tipo, outro dia fui convidada pro aniversário de uma amiga num restaurante caríssimo. Falei logo de cara que não iria, que achava os preços do tal restaurante absurdo, que estava sem dinheiro e de que a comida não era assim uma Brastemp. Minha amiga se ofereceu pra pagar meu jantar – com direito a drinks e sobremesa! Claro que eu sabia que ela poderia arcar com essa despesa e de que ela queria muito a minha presença... e claro, você só faz isso se tiver certeza de que sua presença é indispensável.... oh, it helps to be the life of the party.

No tal diarinho eu também escreveria que poucas coisas me dão tanto prazer quanto ir ao cinema sozinha. Eu, minha pipoca bem salgadinha e o filme. Hoje vi o novo do Scorsese e adorei! Apesar do Leonardo di Caprio que aliás tá treinando pra ser Brad Pitt (outro que odeio). Filmão, me lembrou muito L.A. Confidential, um dos meus all time favorites e aí eu cheguei a conclusão que eu gosto de filmes onde os bonzinhos não são propriamente bons e os maus não são... bom, acho que você entendeu o que eu quero dizer. Mas onde eu quero chegar é que esses filmes me dizem algo porque é exatamente assim que eu me sinto. Sabe, eu não me apego muito em valores morais, sou capaz de trair, mentir, ser extremamente arrogante e cruel mas eu ainda acredito que tenho um coração bom. Talvez essa seja a minha grande contradição, e certamente a que mais gosto na minha personalidade. É estranho que depois de um dia de trabalho com direito a um cineminha no fim do dia eu esteja aqui escrevendo sobre traições, valores morais, tomando Bellini e finjindo que isto aqui não seja um diarinho. Semana difícil, estou me sentindo mal-comida, está um frio da porra lá fora e eu só queria estar no Brasil. Estranhamente, a minha melancolia esta noite não é triste, é saudosista.

d-_-b “Specialist” Interpol... talvez a nova favorita....

Wednesday, November 01, 2006

“E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo. No tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho.”

Caio Fernando Abreu


d-_-b "Sheela- Na-Gig" P.J. Harvey

Monday, October 23, 2006

Time flies when you are having rum =)

Hoje faço um ano de casada. Mais do que aprender sobre o outro casamento é, acima de tudo, o aprendizado de si mesmo. Digo e repito que eu sou uma pessoa de sorte: por ter conhecido o Vertigem e por ter me permitido acreditar que desta vez seria diferente. E está sendo, todos os dias. Este foi o post de um ano atrás, ainda quando eu tinha o outro blog, o Pequenas Epifanias:
Foi assim, lindinho... Vertigem todo arrumadinho, eu de vestido novo e, depois de muita discussão, minha irmã me convenceu a botar um véu na cabeça. Não vou mentir, tinha bebido muito Kir Royal e estava de pilequinho, com as bochechas "ruborizadas". Sempre que bebo perco o pouco de modéstia que ainda tenho, então ficava repetindo pro Vertigem - You are about to get sooo lucky... it's better than winning the lottery! Acendemos umas tochas, reunimos dez amigos e celebramos. Tinha comida e bebida à vontade, casais mais velhos dando conselhos e Vertigem com seu olhar cúmplice. No fim, olhei pra todos e gritei bem alto "I'M MARRIED!!" e houve um riso generalizado. Nos momentos felizes a memória sempre fica um pouco turva - sons, pessoas, flashes - mas voltamos pra casa com a certeza de que, pelo menos nesta noite, a vida foi bela.

Agora fou lá estourar uma garrafa de Veuve Clicquot porque hoje é um dia pra ser celebrado, porque a vida continua bela...

d-_-b "Baby" Mutantes - a nossa música desde sempre....

Tuesday, October 17, 2006


Well here it is again
Can you make it to the end of the deja vu?
Well here it comes again
Can you make it to the end
Of her, of her, of her, of her, of her?

It's deja vu


Ah, o mundo dos blogs! Acabei dando de cara com um post sobre mim!! Oh céus... diz que sonhou comigo, que finalmente me conhecia cara-a-cara, que viveu se comparando à mim nos últimos anos... sei lá, cheguei até a ter pena, mas não vou responder. Porque não quero reviver essa fase da minha vida, não quero remexer no lixo e, afinal de contas, já fazem uns 4 anos e a porta do passado já foi fechada há muito tempo. Move on, baby, move on....


d-_-b “Deja vu” – Yeah Yeah Yeahs

Friday, October 13, 2006

Big Sur

Eu e Vertigem nunca tivemos lua-de-mel. Primeiro porque na verdade eu não estava muito com vontade, minha avó tinha morrido há pouco tempo e foi tudo muito corrido e sim, eu sou uma workaholic incorrigível. Mas, aproveitando que minha mãe estava aqui e poderia ficar na loja no meu lugar, eu tirei o fim-de-semana de folga... imagina, quase 5 anos aqui na Califórnia e esta foi a primeira vez que passei um findi sem trabalhar, só com o Vertigem. Fomos pra Big Sur tomar irish coffee às três da tarde e depois passear na praia, comendo pistache e vendo o pôr-do-Sol. Domingo de manhã fomos fazer feira e depois no festival de cinema. Aliás, festival de cinema “di grátis”(!) e acabamos vendo três filmes muito bons- Inocent Voices (sobre a guerra civil em El Salvador), The Other Final (documentário) e A State of Mind (documentátio). Mas o mais bacana foi não só conhecer Big Sur(foto) mas passar 48 horas grudada no Vertigem. É perceber que a gente se dá bem até debaixo d’água, que ele me faz rir e que entende o meu senso-de-humor. É se dar conta que vamos fazer 1 ano de casados e de que só tivemos na verdade uma briga, que terminou em cinco minutos com beijinhos e pedido de desculpas. Mas daí vem a pergunta: se somos tão bom juntos, por que eu sinto esse ciúme tão raivoso dele? Não é algo tipo “oh, é só o medo da perda” porque, sinceramente, ele não me dá motivo pra ficar insegura. Uma vez eu falei pra ele, seríssima: “eu nunca vou te perdoar por ter sido casado antes de mim. Eu não sou segunda opção de ninguém, entende?” Ele falou, incrédulo, que nem me conhecia quando casou pela primeira vez.... ainda sim, sinto uma certa mágoa, vai entender....

A gota d’água foi achar uma foto da ex perdida numa caixa. Não, ela nem era bonita, estilo patricinha de “Sumpaulo”, partygirl e, oh céus, magéééérrima! Resumindo, a menina era o meu oposto porque eu não sou patricinha, eu sou a pessoa mais uncool e não-popular do mundo e, cá entre nós, estou mais pra roliça do que pra delgada. Eu tenho que admitir que nada me irritou tanto quanto o fato da menina ser mais magra que eu. Na boa, a garota era de uma magreza anoréxica e isso me irrita porque, porra, eu fui ginasta!! Passei minha adolescência e parte da infância querendo ser uma daquelas fadinhas voadoras que se vê na olimpíada, passava fome, fazia regime, tentava em vão ter alguma desordem alimentar (rs) mas ao invez disso eu sempre fui forte, ao ponto do meu pai me chamar carinhosamente de “tourinho”. Eu era aquela menina metida que apostava (e ganhava) queda de braço com os garotos da escola. Ainda assim, eu perdi, entende? Não só não fui uma grande ginasta como só consegui conhecer e me apaixonar pelo Vertigem porque a magrela fez merda e acabou com o casamento. Querendo ou não, eu fui a segunda opção dele tanto quanto ele foi uma opção descartada da Olívia Palito. Infelizmente, isso mexe com a minha auto-estima. Não deveria, mas mexe. Tá, eu sei que o casamento tá maravilhoso e que ele me ama e vice-versa e de que tudo isso é passado e que ele não fala com a garota desde a separação... mas fazer o quê? Eu sou um ser neurótico, sempre fui. É uma pena eu não poder fazer terapia aqui, no Brasil eu fazia 5 vezes por semana e, apesar de ter a noção de que eu não era mais feliz lá do que sou aqui, eu acho que a terapia me ajudava a metabolizar as coisas mais facilmente. Ele foi casado antes de mim, isso é fato e não vai mudar. Agora EU é que tenho que aprender a conviver com isso. Terapia-911 URGENTE!!

d-_-b “Chocolate” Snow Patrol

Thursday, October 12, 2006

Tô triste, pronto falei. E tudo bem estar triste. Passa, entendeu? É só uma questão de re-direcionar e adaptar a minha vida....não adianta muito essa banca de mulher madura quando desmorono toda vez que minha mãe volta pro Brasil. E o pior é que ela foi sem vontade, querendo ficar. É aquela velha estória: você passa a vida buscando aquilo que não teve na infância. Na verdade, eu queria falar “craving” mas eu não consigo pensar em nenhuma palavra apropriada em português... eu queria dizer: you spend your live craving whatever was missing when you were a kid. And to crave something is a horrible thing, because you end up wanting something so bad that you lose control. Pronto, era isso que eu queria dizer, mas ultimamente tenho sentido dificuldade em me expressar – tanto em inglês quanto em português. Adoro a minha vida, minha loja, meu marido.... tenho tudo e ainda sobra uns trocados no fim-do-mês, mas hoje estou triste. Aliás, quando estou feliz raramente venho aqui....rs

Tenho milhares de coisas pra fazer: comprar minha passagem pro Brasil, começar a procurar um apartamento menor, renovar o aluguel da loja, fazer reforma.... acho que estou meio catatônica pelo tanto de coisa mas extremamente ansiosa pra passar o Natal no Brasil. Ah, vou pensar nisso tudo amanhã, hoje só o que importa é que eu vou chegar em casa a noite e minha mãe não vai estar lá. E por isso estou triste.

d-_-b “Age of Consent” New Order – que aliás, do nada, virou uma obsessão, vai entender.... aí vai, momento sing-a-long:

Wont you please let me go
These words lie inside they hurt me so
And Im not the kind that likes to tell you
Just what I want to do
Im not the kind that needs to tell you
Just what you want me to

Monday, September 25, 2006


Derretendo pelo filme e sonhando (já) com a trilha-sonora....


d-_-b "Ceremony" - New Order

Friday, September 15, 2006

Sugar at 28



d-_-b "Modern Girl" Sleater-Kinney

Wednesday, September 13, 2006

Caminhamos por uns quarenta minutos com sol a pino. Chegamos na praia e eu até consegui ver umas focas se divertindo na água. Molhei meus pés e a água tava tão gelada que cheguei a ficar com cãimbra. Pensei que se eu soubesse como o dia estaria lindo eu teria vestido um biquíne por debaixo da roupa. Se você for comigo, eu vou. Tiramos a roupa e pulamos na água. Gritei, de frio e felicidade. A vida é tão melhor contigo. Eu nem sabia que poderia ser tão feliz – ele disse, olhando pro chão. Fomos nos secar estirados, nus, na areia quente. Adormecemos, e quando abrimos os olhos percebemos que já não estávamos mais sozinhos. Voltamos pela trilha iluminada com o coração cheio - de amor, carinho, companheirismo e outras coisas boas demais para serem descritas. Que bom terminar meus 27 anos assim. Arrisco dizer que 27 foi o ano mais feliz da minha vida. Foi tão bom que dá até medo de sair dele. Quero que esses 27 permaneçam, quero sentir como me sinto agora – a água gelada, o corpo dele quente.... a luz do sol me cegando e deixando transparecer uns primeiros sinais de pés-de-galinha... essa felicidade que transborda... sempre.

Feliz aniversário pra mim =)

d-_-b “Sinking Hearts” - The Organ

Tuesday, September 05, 2006

I keep a close watch on this heart of mine
I keep my eyes wide open all the time
I keep the ends out for the tie that binds
Because you're mine, I walk the line



d-_-b "Walk the Line" Megan Wyler